Capa da checagem É sério, bicho? sobre turistas sentados em uma tartaruga-marinha em Omã.

Turistas realmente sentaram em uma tartaruga-marinha em Omã?

É sério! Vídeo que viralizou nas redes é verdadeiro e levou autoridades de Omã a tomarem medidas legais, mas algumas informações acrescentadas à história, como relatos de prisão dos turistas, não foram confirmadas oficialmente.


As imagens que se espalharam pelas redes mostram um homem e uma mulher interagindo diretamente com uma grande tartaruga-marinha na praia. Em diferentes registros, eles aparecem sentados ou apoiados sobre o casco do animal. Também circulam imagens mostrando o manuseio de filhotes de tartaruga.

A repercussão internacional cresceu entre os dias 27 e 29 de setembro de 2026, mas não estamos diante de um vídeo criado por inteligência artificial nem de uma gravação antiga reapresentada como nova.

A autoridade ambiental de Omã reconheceu oficialmente a ocorrência e informou que o episódio aconteceu na região de Ras Al Hadd, na província de South Al Sharqiyah.






  • o vídeo é real;
  • a ocorrência foi registrada em Ras Al Hadd, Omã;
  • turistas aparecem interferindo diretamente com tartarugas-marinhas;
  • a Environment Authority considera a conduta uma violação das normas de proteção da vida selvagem;
  • procedimentos legais foram adotados;
  • a autoridade reiterou que visitantes não devem tocar, aproximar-se ou perturbar tartarugas nos locais de desova

Algumas publicações nas redes passaram a afirmar que os turistas teriam sido presos ou detidos no aeroporto. Não foi encontrada confirmação oficial disso.

O que a autoridade ambiental anunciou foi a adoção dos “procedimentos legais necessários” contra a pessoa envolvida.


“A Autoridade Ambiental vem acompanhando de perto um vídeo que circula nas redes sociais mostrando um turista praticando atos que perturbam tartarugas-marinhas na região de Ras Al Hadd, em violação às leis e aos regulamentos que regem a proteção da vida selvagem no Sultanato de Omã.

A Autoridade confirma que tomou as medidas legais necessárias contra a pessoa envolvida, de acordo com a legislação aplicável. A Autoridade reitera que não tolerará quaisquer práticas que prejudiquem a vida selvagem ou ameacem os habitats naturais.

A Autoridade Ambiental insta todos os cidadãos, residentes e turistas a cumprir os regulamentos e as orientações que regem as visitas aos locais de desova de tartarugas-marinhas e a se abster de tocar, aproximar-se ou perturbar as tartarugas, a fim de garantir sua segurança e preservar seus habitats naturais.

A Autoridade também pede a todos que cooperem e denunciem quaisquer violações ou práticas que possam prejudicar a vida selvagem, ressaltando que a proteção da biodiversidade é uma responsabilidade compartilhada que exige a conscientização e o compromisso de todos.”


A cobertura internacional identificou o homem como o influenciador e treinador físico ucraniano Vadym Oleynik. Reportagens também identificaram a mulher que aparece nas imagens como Olena Kravchenko.

Oleynik publicou posteriormente um pedido de desculpas nas redes sociais, afirmando que desconhecia as regras e que não pretendia machucar os animais. A publicação original com o vídeo foi retirada.


Ras Al Hadd não é uma praia qualquer. A região integra uma das áreas mais importantes do mundo para a reprodução de tartarugas-verdes (Chelonia mydas). A própria Environment Authority de Omã descreve Ras Al Hadd como um local globalmente importante para a desova da espécie.

As tartarugas chegam à praia para uma fase biologicamente exigente do ciclo reprodutivo. Durante a subida à areia, a escolha do local, a escavação do ninho, a postura dos ovos e o retorno ao mar, qualquer interferência humana pode causar estresse, desorientação e interrupções no comportamento natural. Aproximar-se demais, tocar, bloquear o caminho, usar flash ou subir sobre o animal não é apenas inadequado: pode atrapalhar um momento essencial para a reprodução.

Por isso, embora o caso tenha acontecido em Omã, as recomendações seguem uma lógica adotada em diferentes áreas de desova no mundo: observar à distância, não tocar nas tartarugas nem nos filhotes, não ficar à frente do animal, evitar luzes fortes e obedecer sempre às orientações das equipes responsáveis pelo monitoramento e pela visitação.


Infográfico com cinco orientações para observar tartarugas-marinhas na praia sem interferir na desova.
Manter distância, evitar luzes e não tocar nos animais são cuidados essenciais para observar tartarugas-marinhas sem interferir em seu comportamento natural. Arte: Que Papo é Esse, Bicho? — produzida com auxílio de IA

O episódio também mostra um problema que aparece cada vez mais no turismo de natureza: animais transformados em cenário para fotos e vídeos.

Encontrar uma tartaruga-marinha na praia pode ser uma experiência extraordinária. Mas observar um animal selvagem não dá ao visitante o direito de tocá-lo, segurá-lo ou usá-lo como apoio para uma fotografia.

A própria Environment Authority declarou após o episódio que não tolerará práticas capazes de prejudicar animais selvagens ou ameaçar seus habitats e pediu que possíveis violações sejam denunciadas.

A lógica é simples: se a presença humana altera o caminho, o ritmo ou o comportamento da tartaruga, já há interferência demais.

  • mantenha distância;
  • não toque no animal;
  • não sente, apoie ou monte sobre a tartaruga;
  • não bloqueie o caminho até o mar;
  • evite flash, lanternas fortes e barulho;
  • não manipule filhotes;
  • siga as orientações da equipe local.

Montagem com duas imagens de turistas sentados sobre tartarugas-marinhas em uma praia de Omã.
Imagens que circularam nas redes mostram turistas sobre tartarugas-marinhas em Ras Al Hadd, em Omã. O episódio foi confirmado pela autoridade ambiental do país. Montagem produzida com auxílio de IA para o Que Papo é Esse, Bicho? | Imagens de referência: Reprodução/Facebook — Biológico Caminho

É sério! O vídeo dos turistas sobre uma tartaruga-marinha em Omã é verdadeiro.