Capivara, preguiça, maritacas e cachorro-do-mato em área de Mata Atlântica.

São Gonçalo (RJ) acolhe 122 animais silvestres em um mês e amplia proteção à fauna

Corujas, beija-flores, preguiças, gambás e até uma jiboia estão entre os 122 animais silvestres recebidos durante o mês de julho em São Gonçalo, município da Região Metropolitana do Rio de Janeiro. O balanço revela a diversidade da fauna que ainda resiste em áreas urbanizadas e precisa de atendimento para ter uma nova chance de retornar à natureza.

Os animais foram acolhidos pela Área de Soltura de Animais Silvestres, conhecida pela sigla ASAS. A unidade é vinculada à Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Transportes e funciona no bairro Maria Paula, dentro da Área de Proteção Ambiental das Estâncias de Pendotiba.

A atuação inclui resgate, acolhimento, recuperação e destinação de animais encontrados feridos, debilitados ou em situações de risco. Dos 122 animais contabilizados no período, 29 foram resgatados pela Guarda Municipal de São Gonçalo.

A lista de espécies atendidas inclui coruja-caburé, beija-flor, frango-d’água, biguá, maritaca-verde, carcará, cachorro-do-mato, preguiça, gambá, capivara, ouriço-cacheiro, cágado e jiboia.

Do acolhimento à volta para a natureza

Receber um animal silvestre é apenas o começo de um processo que exige avaliação técnica, tratamento e respeito ao tempo de recuperação de cada espécie.

Durante o mês, 23 animais foram considerados aptos para a soltura e retornaram à natureza. Outros 17 precisaram ser encaminhados a unidades de referência, onde recebem tratamento especializado e manejo adequado às suas necessidades.

Os demais permaneceram sob os cuidados da equipe da ASAS, em recuperação, observação clínica ou aguardando a definição de uma destinação compatível com critérios técnicos e legais.

A devolução ao ambiente natural não acontece automaticamente. Antes da soltura, os profissionais precisam verificar o estado de saúde do animal, sua capacidade de buscar alimento, locomover-se, defender-se e sobreviver sem assistência humana. O local escolhido também deve oferecer condições adequadas para a espécie.

Mais de 5,6 mil animais atendidos desde 2022

A ASAS alcançou a marca de mil animais silvestres acolhidos somente em 2026. Desde sua inauguração, em 2022, a unidade já recebeu 5.627 animais.

Os números ajudam a dimensionar tanto a importância dos serviços de reabilitação quanto a frequência com que a expansão urbana, os atropelamentos, os acidentes e outras interferências humanas colocam a fauna em risco.

O trabalho também evidencia a biodiversidade que muitas vezes passa despercebida nas grandes regiões metropolitanas. Aves, répteis e mamíferos continuam circulando por fragmentos de vegetação, margens de rios e áreas de proteção ambiental próximas aos bairros ocupados por pessoas.

Imagens mostram os animais atendidos pela ASAS em São Gonçalo.
Alguns dos animais atendidos pela ASAS em São Gonçalo. Fotos: Divulgação/Prefeitura de São Gonçalo/Ascom. Reprodução: Que Papo é Esse, Bicho?

Encontrou um animal silvestre? Não tente capturá-lo

A orientação da Prefeitura de São Gonçalo é que a população não tente capturar ou manejar por conta própria um animal silvestre ferido, debilitado ou fora de seu ambiente habitual.

Mesmo quando parece indefeso, o animal pode reagir por medo, provocar ferimentos ou agravar sua própria condição durante uma tentativa inadequada de contenção. O mais seguro é manter distância, afastar crianças e animais domésticos e solicitar orientação de uma equipe autorizada.

Em São Gonçalo, o contato informado para resgate de fauna silvestre é o telefone (21) 2199-6336. A ASAS está localizada na Rua Rigel Pacca Corrêa, no bairro Maria Paula.

Moradores de outras cidades podem procurar a secretaria municipal de Meio Ambiente ou consultar a lista de Centros de Triagem de Animais Silvestres mantida pelo Ibama. O contato prévio é importante para receber instruções seguras sobre resgate, transporte e entrega.

Cada atendimento pode representar a diferença entre a perda de um animal e sua reintegração à natureza. Quando população e órgãos ambientais trabalham juntos, o caminho de volta para a vida livre fica um pouco mais possível.

Fontes: Prefeitura de São Gonçalo e Ibama.